quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

RELAÇÕES FORÇADAS - REFLEXOS DE FRAGMENTOS QUEBRADOS



Há uns anos atrás pude perceber com a mais perfeita clareza até onde pode ir o egoísmo das pessoas na tentativa de salvaguardar para si a noção, de que o seu pequeno mundo apenas pode e deve sobreviver mediante um estado de segurança que simplifique a sua vida. Relações forçadas, desconectadas de amor, apegadas ao desejo da condição de segurança não são mais do que cães de fila que, entediados e baralhados com a conotação de coragem se agarram em prantos ao seu amigo de peito à...sua imagem de medo.

O conceito aqui não diverge na tentativa da complementaridade. Sugadores de energias, dançarinos ágeis na arte de perpetuar um legado de um público que os aplauda de pé como reis e rainhas, onde o culto do "Eu" resulta na ignorância inocentada do "Nós". São os chantagistas de amores, os prostitutos de migalhas, os miseráveis que entoam o amor tido, ganho, conquistado como um troféu que possa refletir a sua condição de vitoriosos, porque a vergonha da perda reflete a sua incapacidade na arte de amar.

O brilho define-se por unicidade. O ser único através do roubo da alegria do outro. Outro? Que outro? Eu! São os subdesenvolvidos. Os compradores de rifas que na esperança de um prémio que alimente a condição de subjugação do "Nós" perante o "Eu" se agarram ao mesmo com unhas e dentes na cobardia latente de uma fraqueza invisível. 

Assaltam todas as metades com o intuito de proteger um espaço apenas seu. São os assassinos em série que se ocupam de desenvolver através da descrença do outro o brilho da sua crença. São os destituídos da sua honra que crêem ardentemente viverem autênticas histórias romantizadas, para combater a sua ignorância e definição de apego. Dotam ao isolacionismo o objeto amado votando os próprios a uma solidão ruidosa. São presentes sem estarem presentes. São ouvidos sem serem ouvidos. São alimentados sem serem amados. São crentes na ideologia holográfica da existência de um grande amor que há muito se foi. Amam crentes de que o vazio é a sua alma gémea.

Por diversas razões a tradução da doença que empobrece a solidão não se compadece com ausência ou presença das pessoas tal como 
Friedrich Nietzsche dizia. Antes pelo contrário o que empobrece o estado latente de solidão são os eternos assaltantes que nos destituem da verdadeira companhia. Do sonho de ser amado (a), da esperança de ser cuidado (a). Da eterna leveza que a liberdade oferece ao sentido da vida.

Casadas, solteiras, em união de fato, divorciadas, homens e mulheres, andam todos perdidos em andares errados. Sem culpa, isoladas, em solidão, desapropriadas de si mesmas, vitimas das circunstâncias de vidas, carregados de opressores que cavalgam às custas e às costas daqueles que humildemente apenas diziam: "Eu só queria ser amada(o)..." e ansiando pelo retorno de uma resposta breve que te eleve a um patamar de eterna condição de felicidade escutas: "Quem? Eu?".

Entende-se errado, percebe-se diferentemente, porque o pólo que concentra o amor que se quer distribuído de igual modo, padece de uma brutalidade sentimental onde a planta do seu jardim é o resultado da sua eterna fraqueza e da sua sublime conquista.

Ora...o conceito necessário e opressor de mim para mim e da negação pelo amor ao outro, define-se no disfarce das máscaras intensas que carregam numa só palavra: Fode-te!

Trituradores de emoções, presos numa constituição absorta de uma humanização degradante e que da mesma, espalham sabores intensos de paladares ilusórios, que mais não são, do que espinhos que cercam a sua vitima na esperança de reter esses amores e que em silêncio buscam novos odores...

O ser isolado, destituído da sua condição de ser amado, de ser tratado, de ser cuidado, silencia-se em si recriando um espaço onde fragmentos de reflexos quebrados, aguardem por fim dar sentido ao que é feito de si...



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