PENSEI QUE FOSSE ETERNAMENTE FELIZ




Quando olhavas para mim e fazias aquelas caras estranhas pensei que fosse para sempre. Para sempre entendes? Quando sorrias para mim e eu que me ria perdidamente , pensei que fosse um riso infinito. Infinitamente percebes? Quando chorava e pegavas em mim, sentia-me protegido e eternamente grato. Era o meu porto de abrigo. Esse amor, esse carinho, esse cuidado que pensei que seria eterno.
Não sabia que a capa da inocência seria tantas vezes rasgada, transformada, descuidada e hipotecada com o tempo. O que eu me ri pensando que o caminho da vida seria feito de eternas gargalhadas. O que eu chorei descansadamente deduzindo que estaria sempre protegido. O que tu combateste em meu nome. Em nome da proteção, em nome da coragem, em nome da manutenção do sonho de me fazer sorrir eternamente. Era o que queria, era o que tu desejavas.

Pensei que todos aqueles que sorriam, aqueles que na sua inocência deduziam a felicidade como um sonho eterno, fossem todos eles, todas elas os meus irmãos de armas. Para um mundo diferente, eternamente feliz, capacitado, inviolável face aos ataques do medo, da tristeza, da desgraça.

O que mudou nesta caminhada onde perdemos sorrisos, onde ganhamos tristezas e incertezas? O que mudou para deixarmos de acreditar, de aceitar menos, de conseguir fazer mais? O que mudou para deixarmos de insistir, pararmos para refletir? O que mudou para se amar menos, e se pecar mais? O que mudou nesta caminhada onde portos de abrigo são votados ao abandono, rasgados do seu sono, cruxificados e despojados dos seus barcos? Onde receios imperam a cada esquina? Onde a coragem se esconde a cada beco?

Desconfio das intensas falácias, promessas indevidas de amores rendilhados, destrambelhados, descuidados, despreocupados, sistematicamente insatisfeitos...

A ilustração hoje da minha alma está carregada de réstias do que fui e já não sou. Pensei que fosse eternamente feliz. Feliz na arte de ser, de me ver recheado dos sonhos sonhados, da segurança onde os mesmos descansam na paz de um sono profundo.

Hoje? Hoje sou eternamente grato...por não ser eternamente feliz. Porque no sorriso do meu nascimento....nas cabe a morte do meu sofrimento.

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