(DES)BLOQUEIOS DE UM CORAÇÃO FERIDO



Não quero nada contigo, não quero nada de ti! Não preciso que faças do teu amor por mim caixotes de entulho que jazem a céu aberto à espera de serem resgatados. Alguém te disse que o alimento da minha alma eras tu? O alimento da minha alma é suportado pelo que faço de mim! Não preciso de ti! Seu otário! Não mereces nada mais do que a feliz coincidência de te conotar gramaticalmente sintonizando...a tua infeliz realidade! Frustrado na própria desordem interior!  Será que não percebes a dor? Não entendes que as lágrimas que me escorrem é do veneno ofertado por ti?

Foste tu que me marcaste, que bloqueaste o meu coração, iludido na crença de que estava segura em ti. Crendo nessa força que o descrédito tido, cairia por terra, tanto era o amor depositado em nós. Minto...amor depositado apenas em ti, na tua cura. E que tu ainda assim...eras parte de mim, como eu seria sempre de ti. Unificados, de remos em riste, no nosso barco da vida, contra as tempestades que se aproximassem.

E o que me dizes agora? O que faço eu com o vazio? Com um barco parado em rios secos? Poluídos? Desvinculados de nós? O que faço com os remos que seguro sozinha? O que faço com um barco sem...destino? E com os sorrisos perdidos? E esses abraços sentidos? E agora...como me recomponho? Como volto a aceitar? Como volto a acreditar? Como volto a amar? Como volto a sentir? Como posso dar de mim? E o que estou disponível a receber? Como desbloqueio um coração sem rumo? Como volto a desejar? Por Deus...como vou agora abrir de novo as portas da minha alma já de si fustigada, desacreditada? Seu insensato! Louco!! Não vês o que me fizeste? Como me deixaste? E como eu permiti que assim fosse feito, desenhado por ti o plano perfeito, para uma conquista brilhante? Como? Aplaudo de pé...essa tua arte de cupido de morte.

Tanto que eu te dei! Tanto que te ofereci de mim!! De mim para ti!! De mim para nós!! De nós para o mundo! Sabes o que te digo? Vivemos para nós! Somos apenas emprestados uns aos outros por uns tempos. Como não entendes o meu grito desta minha revolta? Rebelei-me por ti, mas revolto-me por mim!

Tu que com um simples gesto de adeus personificaste tudo o que passamos! Um simples levantar de mão, de um bater de uma porta, de uma despedida que desprendida, destituiu o olhar preguiçoso, que se mantinha eterno, efémero...desnudo...perfeito...nesse conceito de te amar.

Amor, traço de palavra fácil, de gosto duvidoso projetadas por lábios insensatos despreocupados...e eu desnuda em ti, reflexos da luz que irradiava nas sombras mais distantes, ouvia feliz, crendo nessa eterna melodia como tua e minha.

Não te desgastes, não me venhas abraçar com essas notas musicais que passas de uma para outra. Com essa linguagem fácil, de conquista barata de homem necessitado de amor. Com esse ar desgastado, desvirtuado, desconectado desse som! Sim!! Esse som do bater! Esse som de vida que clama e que ama...e que tanto se engana! Desse som que brilha no limbo, que canta e encanta! Que não se rasga, não se humilha, não se rende e não se prende...apenas se entende!

Entende por ti, não te resguardes na dor que provocaste em mim. Sou eu que suporto esta dor sozinha. Sou eu que faminta de amor em prantos de dor colo os pedaços das pétalas que se apartam de mim. Não te faças de santo, não te imagines portanto a figura latente de lágrimas em pranto! Desabita de mim! Desaparece por fim...para que te encontres em ti...e eu...ahhhh...que eu nunca me perca de mim...


Comentários

Helena G.S.R disse…
Adorei o texto!
A verdade é que algumas pessoas possuem talento para dilacerar o coração alheio.

Beijo.
Blog: *** Caos ***

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