CHAPECOENSE - AS VITIMAS DA GANÂNCIA




A história trágica de um passado ainda recente trás à memória os desastres de avião que vitimaram equipas de futebol. Casos como Torino, Manchester United e agora mais recentemente a equipa do Chapecoense, são os casos mediáticos mais conhecidos no mundo do futebol, não sendo os únicos que vitimaram não só as pessoas que viajavam, mas como as suas famílias.

Mas o caso da equipa brasileira de Santa Catarina, conhecida como Chapecoense, eleva-nos a um outro patamar que foge ao denominado desastre de consequências trágicas a todos os níveis e retira de nós não apenas a ideia da tragédia em si, já por si só marcante, mas a forma absurda como esta mesma aconteceu.

Desgraçadamente o mundo está minado pelo capitalismo, pelo desejo intenso de possuir a todo o custo os prazeres que se nos apresentam em todos os cantos e recantos. Há uma simbiose de humanização perversa na arte do roubo, na arte da maleficência, na postura que cada um tem para si e que encarnam entre uns e outros como se de uma festa da vida se tratasse. Iludidos pela conquista fácil, favorecem a sua denominada honra, desonrando quem deles tudo espera e acreditam e nada conquistam.

Esta onda energúme de cegueira pela conquista do poder, do desejo de fazer prevalecer empresas, postos de trabalho, enriquecimento ilícito, esta visão do: "Trabalhe o mais que puder, pagamos o menos possível",  fez com que se brincasse ao carros de fórmula 1 que param de vez em vez na Pit Stop para abastecer mas,  no caso em concreto...não havia posto de gasolina e no céu não existem estradas e motéis para um descanso merecido.

Foram enganados, trapaceados pelo poder económico. Enganados pela empresa aérea que confiaram as suas vidas, as suas famílias, os seus sonhos e objetivos. Enganados pelos sorrisos, batidas nas costas. Pela força da ganância, do desejo de poder, de mais uns trocos, de mais umas notas, de menos gasolina, porque urge a todo o custo cortar nos gastos das empresas. É a crise! É a crise que leva à morte. Leva aqueles que não mais se podem defender.  Que não mais podem sonhar.

Que não mais podem erguer os seus punhos com V de vitória. É a crise...é a crise que coloca no ar vidas, famílias e se dá restos de esperanças com viva esperança que os mesmos cheguem a bom porto e que com isso se possa ir jantar tranquilamente fora, comprar uns terrenos, umas prendas para a família, pagar a escola privada de algum filho, porque se poupou conforme estipulado na....gasolina...

Esta sociedade cada vez mais descaracterizada, cada vez mais centrada no seu eu, no seu próprio enriquecimento é a sociedade das gentes vazias. Gentes que roubam alegria, que roubam virtudes, que votam ao esquecimento sonhos. É a sociedade do "Deixa andar...", sociedade inglória feita de gentes sem glória. Sociedade de "cara de pau" que com coragem de leão ainda se digna a dizer " Não sabia...", " Não tive culpa..."
Mas ao longe ainda se pode ouvir os murmúrios que pairam no ar, a alegria estampada em cada rosto, o sorriso de vitórias incontestáveis, os abraços de amizade que perduram e haja alguém que diga....

"A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar."




Comentários

Postagens mais visitadas