QUEM VIVE NA IMPOSIÇÃO DOS LIMITES....LIMITA A ARTE DE SER AMADO



O amor deve ou não ter limites impostos? Devemos nós em desfavorecimento do que somos e construímos, colocar barreiras, limitar passos, em nome do amor? E em favorecimento de quem se ama, para que com isso se estabeleça equilíbrios? Criando expectativas de felicidade cria-se amor? Limitando-se os passos não se limita a liberdade do ser?

Somos monogâmicos ou somos poligâmicos? Vivemos num mundo desde os primórdios já por si condenado a uma exigência de regras morais e éticas que a sociedade intensifica burocraticamente a cada década que passa. Liberdade essa não passa de uma fantasia, onde nos prendemos e desprendemos como presos com direito apenas a 1 hora de sol.

Gritamos sistematicamente a uns e outros " Eu sou livre!". Pobres coitados que nos dignamos ainda a achar presunçosamente que somos comandantes destas prisões invisíveis. Desde que acordamos até ao momento em que colocamos a chave na porta de casa pertencemos a eles. Não pertencemos a nós. Somos deles, não somos nossos.

Somos do capitalismo, da força trabalhista, somos das compras, das necessidades, somos das contas da luz, da água, da tv a cabo, das gasolinas nos carros, dos passes, dos transportes públicos. Somos dos filhos, somos dos pais e avós. Somos dos netos, dos tios. Somos dos amigos e companheiros. Somos das noites loucas, das festas intensas. Dos olhares trocamos, das bocas beijadas. Somos da namorada que teme ficar privada de nós, da mulher que corre em ânsia de chegar a casa cedo, para tratar do jantar. Somos tudo...tudo...menos liberdade! Somos de todos, mas não somos de nós.

Sou de ti, mas não sou de mim. Sou o colega de trabalho, sou o submisso do chefe, sou o filho da mãe, sou o solitário, sou o festivo, sou o amigo, companheiro, amante e deambulante de mão em mão. Sou da necessidade, sou do apontar do dedo, sou da xenofobia, sou da idolatria. Sou da obsessão, sou do puritanismo. Sou da religião, sou da espada da justiça e rebolo na injustiça. Sou o ladrão, sou o omisso, sou o traído, sou o traidor. Sou o fala barato, sou o gostosão. Sou o feio sem esperança, sou o medo sem coragem, sou da raça da indignação. Sou de todos! Mas não sou de mim! Sou tudo e não sou nada.

Não me perguntes sobre amor. Não me questiones sobre o esse valor. Valor que entendes que deves roubar para satisfazer a tua necessidade de ser. Que equilíbrios pretendes de uma liberdade já por si condicionada de vida? Que erros mereces dos erros que a mim  não me culpabilizam? Que feridas tomaste para que te definas como merecedora de amor intenso e ainda assim limitado?

Por quem me tomas tu? Que liberdade é essa  que desejas para ti e recrias no teu jardim esquadrões de soldados que se prostram a ti? Que liberdade no amor entendes oferecer quando o que procuras é apenas alimento do teu ser? Eu já me traí à minha própria liberdade. Já me doei, já me dei, já me esqueci de quem sou para adornar quem o é.

Não me falas de amor, de equilíbrios, concessões. Que treta mais ordinária requisitar em pedidos mudanças na arte de ser. Que fraqueza latente prender-se na alma as músicas que nos dão liberdade de dança. Tudo para os outros, nada para nós. Alimentamos os medos dos outros, tornando real o medo de dois. Oferecemos  a liberdade a um reduzindo a escombros a alegria do outro e chamamos de amor! Tolos! Insanos!

Só vivem de barreiras de medo. Medo de perder, medo de sentir, medo de ouvir, medo de trair, medo de querer e não ter. Medo do infortúnio, receio que o amor se embeleze da finitude e se arrasta para um buraco sem volta.

Somos de todos e que demência...não sermos de nós.






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