MULHER - O ENCANTO DA CORAGEM




Ela queria correr mundo, queria ser mãe, queria ser professora na arte de amar, arquitecta de paixões, médica de corações, mecânica de emoções. Ela queria ser amada, queria ser grande, queria ser construída, constituída pelos seus valores. Queria ser engrandecida, lembrada, adormecida no leito, amada no conceito. Ela queria ser diferente, queria ser a mudança no mundo. Ela queria ser o grito da emoção, queria manter o olhar da paixão, queria ser o fogo que rega de emoção os sentidos. Queria ser a alteração de valores, a concepção de identidade que marcasse na pele a diferença. Ela queria ser valorizada, queria ser destemida, queria ser entendida. Ela queria ser o desígnio da verdade, a letra que indicasse o caminho para o conceito da sua verdadeira liberdade.

Mas, ela foi espoliada, ela é violentada, ela é humilhada. Ela é traída, ela é trocada,  ela é destituída do seus amores, das suas paixões, enfrenta os limbos das suas razões. Ela é céu, ela é inferno. Ela é infernizada, denominada como objecto de fraqueza de intensa. Ela é a puta, a insensível, a dramática, a instável. Ela é a consumista, a desvairada, a doida, a perdida. Ela é a gorda, ela é a magra. Ela é a feia, ela é a bonita.  Ela é a inconsequente, a burra, a interesseira, a desmedida nas palavras. Ela é a ilusão e desilusão. Ela é a fraqueza, a insensatez a benevolência a humildade. Ela é Marte e ela é Júpiter. Ela é Adão e ela é Eva. Ela suporta, ela consome, ela destrói e constrói. Ela é tudo e ela é nada. Ela está onde ninguém está, ela cuida, onde ninguém ousa cuidar. 

Ela chora na solidão, perde-se na intensa multidão. Ela ri, ela desliza na pista de dança, conserva a sua esperança. Ela é o grito do desejo, a força do seu fogo e a arma do seu encanto. Ela é tudo...que o homem não suporta ser.




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