SOCIEDADE DE ESCRAVOS...



Hoje ao contrário de outros dias decidi na entrada para o comboio, percorrer todas as carruagens. Pensei que fazer um pouco de jogging em passo de caracol pela manhã entre carruagens, não faria mal a ninguém. Em passo lento fui percebendo nas centenas de pessoas sentadas e em pé qual o seu entretenimento pela manhã. Como não podia deixar de ser 70% das pessoas estavam agarradas aos seus smartphones.

Os smartphones já há muito que são os novos amantes tão desejados por esse infindável mundo. Já ninguém os larga, porque todos o amam. Foram poucas e poucos aqueles que percebi estarem agarrados a um livro ou simplesmente tranquilos com os seus pensamentos. Se a doença Parkinson fosse uma acção do mercado de Wall Street, nós éramos a maior empresa do mundo.

Esta nova forma de liberdade tecnológica não passa de um embuste carregado de escravidão por uns e outros. As pessoas estão completamente entregues à sociedade. Sim, tu que lês isto e possas dizer: " Ahhh...não sou escravo de nada! Tenho toda a liberdade do mundo! " Como alguém tem liberdade se está dependente de algo? É o mesmo que dizer: " Tenho uma namorada que amo totalmente, mas não a deixo sair com amigos!" . Podes dizer-me que a tua vida não é isto! Eu tenho tempo, eu faço de tudo, eu distribuo o meu tempo. Contigo? É o teu tempo contigo? Ou é o tempo dos outros?

A sociedade consegue na sua grande maioria sempre o que quer. A sociedade adora escravos. Essa é a premissa da sociedade. Esqueçam a liberdade, a democracia, as revoluções,  o poder que muitos acham que tem e atingem. Estamos todos dependentes de saber quem somos e no fundo somos todos e desculpem a minha frontalidade...uns autênticos camelos. 

Não sabemos confrontar o nosso eu, desculpar erros, perdoar ofensas, alterar conceitos, modificar defeitos, procurar melhoramentos, trabalhar o nosso eu, mas regozijamo-nos com novos apps, novos avanços tecnológicos, presos na escravidão de uma liberdade globalizada mas totalmente inerte e dependente. A nossa liberdade é "para"? Ou a nossa liberdade é "de"?

Encetamos conversas com desconhecidos, produzimos ofensas virtuais, postamos, reagrupamos, inventamos, deduzimos, criamos, fazemos pré-julgamentos, encetamos tribunais virtuais, acusamos, defendemos e condenamos! Traímos, desistimos, omitimos...despachamos! A globalização, a teia imensa de estarmos conectados todos uns com os outros, criou sociedades de camelos. Não produzimos amores, liquidificamos sentimentos, despachamos lágrimas, apressamos vidas.

Queres alterar o mundo? Coloca um like! Queres perceber o que o livro te diz? Coloca um like! Queres entender quem és? Coloca um like! Rimos, encetamos conversas, deambulamos horas e horas na tentativa de criar vida onde não existe vida!

A sociedade é a o autoritarismo. Mas tu és a autoridade de ti mesmo. Para Jean-Jacques Rousseau, importante filósofo, escritor, teórico político e compositor suíço, notável influenciador dos ideais iluministas, o homem encontra-se preso. É dele a frase: “o homem nasce livre, e, em toda parte, encontra-se acorrentado”.

"O homem nasce livre mas em toda a parte encontra-se acorrentado." É a mais pura visão de uma verdade indesmentível. Somos camelos, porque não nos sabemos rebelar. Encontramos na sociedade a forma de vida mais escrava que existe. Porque onde existe escravidão...atenta...não existe amor.

Portanto...nestas idas e vindas, nesta visão inerente ao consumo intenso de tecnologia, de aceitar a escravatura que te torna dependente e inconsequente pergunta:

A tua liberdade é "para"? Ou a tua liberdade é "de"?






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