PESSOAS DEBATEM RÓTULOS


As pessoas são os únicos animais no mundo que tem o gosto peculiar da crucificação do outro. É um prazer inato a uma grande parte da humanidade de decifrar facilmente rótulos e não conteúdos. Os animais vivem de acordo com o espaço onde estão inseridos. Presas, predadores, cada um ocupa o seu espaço conseguindo viver em profunda comunhão. São livres, verdadeiramente livres, mas ainda assim alvos a abater pelo homem em tantas situações. 

Por outro lado, nós humanos, ainda continuamos a constatar que a lei do mais forte nos pertence. E assim o é. Somos meros seres inseridos ainda num limbo entre o nascimento e a morte e o qual muitos de nós classificamos este meio termo como vida! Achamo-nos profundamente evoluídos.

Sejam aqueles que acreditem que nos corre nas veias o sangue dos antepassados de uma evolução Darwiniana, seja até aqueles, que acreditam que este mesmo antepassado vem desde os tempos de Adão e Eva, um ou outro, ainda representam para todos os fins a mais alta hierarquia do mundo. E é nesse lugar que nos encontramos nós.  No mais alto ponto da cadeia alimentar.

Somos tão bons e tão evoluídos que necessitamos de ordem. Precisamos de tribunais, de policia , de exército, de sinais de trânsito, de regras no trabalho, em casa, pais, professores e afins. Não se trata de sermos evoluídos, trata-se de estarmos desconectados.

Exatamente porque debatemos rótulos. Somos maus, porcos, nojentos, assassinos, ladrões, mentirosos, omissos, desconcentrados, desnivelados, teimosos, destituídos da graça de Deus...caso fosse ele assim para muitos o senhor dos Céus.

E o mesmo se poderia aplicar a uma evolução hipócrita e insensata que não tenha como base nenhum tipo de religiosidade ou Deus. Há séculos que assassinamos, que matamos, que roubamos, que causamos mal ao mundo. Há séculos que violamos, transgredimos, fazemos guerras, inventamos batalhas, defendemos linhas de pensamento que só causam a nossa própria vergonha e podridão.

E claro...clamamos à vezes bem alto " Porquê meu Deus?" , "Porque isto acontece"? Porque é que a pergunta é feita a Deus? Porque é tão simples apontar o dedo? Porque não é feita a nós mesmos? O que temos a aprender? O que temos ainda para evoluir? Somos quem pensamos? Ou nada somos do que deduzimos?

Feitas as contas temos estado em evolução desde há 200 a 300 milhões de anos atrás. E evoluímos tanto para os dias de hoje que ainda não largamos os rótulos das gordas, pretas, putas, paneleiros, vagabundos e afins.

Apontamos os dedos em riste em diversas situações. É a critica sem lei, sem rei nem roque. É a crítica destituída de humanismo.

Gritamos: " Pretos de merda", mas vamos para casa e batemos na mulher, repreendemos os filhos supondo nós que os fazemos com isso "evoluir".

Gritamos " Gordas, suadas, porcas ou nojentas" e vamos para a rua à procura da menina que se vende por dinheiro, porque em casa, temos alguém que não nos satisfaz.

Gritamos "Vagabundo, não tem onde cair morto!", mas somos incapazes de dar a mão para o levantar. Ao invés preferimos gastar o nosso dinheiro, num bom smartfhone, porque servirá para procurar garotas em algum app de relações.

Gritamos: " Empresários gananciosos!! Queremos um aumento!", mas fazemos em surdina, pois precisamos do trabalho para garantir a nossa sobrevivência.

Gritamos: " Olha que putas, vão com todos!" mas deleitamo-nos com todas a cada esquina.

Neste nosso cinismo latente onde reproduzimos esperanças vãs em tantos momentos alguém questiona:

Se para a evolução é necessário rótulos que a minha aprendizagem se prenda no conteúdo.


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