DIZ NÃO AOS RELACIONAMENTOS...MAS DIZ SIM AO AMOR!



- A primeira pergunta que te quero fazer é simples. Namoras?

-Namoro...

-Consideras haver amor no teu namoro?


-Claro, amor existe, senão não seria um namoro!

-E liberdade? Existe nesse namoro?

-Bom...liberdade existe óbvio...condicionada digamos assim! Não é livre de fazer tudo o que ele quer assim como eu! Temos respeito um pelo outro e pelo que fazemos ou não!

-Então é um amor condicionado pelos atos que um e outro possam praticar?


-Sim...de certa forma! Não direi condicionado, mas mais numa linha de respeitabilidade!


-Como defines o amor?


-Não sei até que ponto posso ter uma definição de amor. É algo que surge que nos arrebata! Mas entendo o amor como o mais alto nível de purificação, de transformação. O amor liberta-te!


- Mas como te pode libertar se o usas como condicionante? Como o defines como livre se te privas a ti e ao outro? Um relacionamento condicionado é um relacionamento de ódio. 

-Ódio? Mas eu amo o meu namorado!

-Como amas, se privas a liberdade? Como amas se te utilizas do amor como arma de autoritarismo? Como podes amar, condicionando os passos da pessoa amada?

-Mas, isso é respeito! Respeito pela condição que cada um carrega na sua individualidade e que num relacionamento carece de concessões! Não posso andar a fazer o que fazia ou sair como saía, ou ir ter com amigos e ele ficar em casa ou o contrário! Amor é respeito também! E é isso que usamos para a manutenção dele.

-Mais uma vez relacionamentos baseados em regras e definições aumentam exponencialmente um instinto de ódio acerca do objeto amado. Quando crias regras no amor, quando o destituis da sua pureza na tentativa de resguardares o que entendes ser o mais importante, já perdeste esse amor. Aliás nunca o tiveste! Já reparaste que a maior parte das pessoas deduz o amor como um negócio empresarial? Cheio de regras rígidas, ciumes, invejas, o que se deve fazer e o que não se deve fazer? Como me podes dizer que no teu relacionamento se vive amor se os dois se condicionam à própria individualidade? Traçares o amor com teias e enredos de necessidades para fazeres dele uma caixa forte impenetrável é nojento! É inconcebível respirares amor, viveres de amor e dares amor!Porque nas tuas condições e exigências no amor de relação que tens, já tu mesma estás a privar o amor de ser feliz.

-Mas Bruno...amor também é isso! É luta, desejo, vontade, intensidade, capacidade de entendermos o que nos rodeia e como podemos ou não ir fazendo alterações.

-Entende...estás a falar de segmentos e traços de personalidade que se podem ou não agrupar definir ou indifinir numa relação. O que estás a fazer não é nada mais nada menos do que impor leis no amor. O amor é carente de leis? Leis para amar? Leis para voar? Leis para te sentires viva? Quando colocas o coletivo acima do amor, que é o caso num relacionamento já estás a votar o amor à prostituição. O amor só pode ser delineado como verdadeiro quando não interfere na individualidade do outro! E ainda assim, repara, há milhões e milhões de pessoas que vêem o amor como um contrato de necessidades para elas mesmas!

-Bruno...talvez possas ter razão aqui e ali, mas maioritariamente ninguém se baseia nesses pressupostos, porque na verdade a sociedade assim o obriga. Vivemos num mundo louco, de devaneios, de mentiras e omissões a cada canto, de pessoas necessitadas de amor, ávidas de amor.

-Mas quando essas necessidades não são satisfeitas o que acontece? O amor transforma-se em ódio! E simplesmente porque as pessoas criam demasiadas expectativas e frustram-se liminarmente!

-Já vi que és contra o amor!!

-Nada disso! Amor para todos!! Amor com todos! Eu estou e sempre estive contra a ideia da forma como as pessoas tanto se arrumam, como se encaixam e se desorientam na arte de amar. Ninguém se ama profundamente a si mesmo como foco para atingir patamares que os preparem para os relacionamentos. E por isso muitos ficam escravos do amor andando em loopings desenfreados em busca do conceito primordial do amor. E sempre esteve lá! O problema é que as pessoas buscam essas curas no coletivo e esquecem-se do seu eu....

-Já que sabes tanto...como defines o amor!?

-Não o defino...ele é...



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