AMOR É UM LUGAR PERIGOSO




Que ninguém possa ter a presunção de dizer que o amor é um local sagrado. Não o é. Não o é, porque a devoção do sacramento no amor é praticamente inexistente. Há uma luta inglória muitas vezes incessante entre o que um é e o que o outro pode ser. Uma luta incessante entre o que eu dou e entre o que o outro pode dar. A inevitabilidade do amor torna-o concerteza um recanto de perigos vários.

Como Mário Quintana diria o amor só tem a sua eterna razão de ser, de comprometimento quando na verdade nos transforma naquilo que de melhor podemos ser. Invariávelmente vemos mais pessoas a constituir amores de formas estratégicas e de acordo com o desejo, de adornar ainda mais os seus desejos, do que propriamente transformar o outro ou a si mesmo.

O amor é um lugar perigoso, porque é vitima do engano. É vitima do silêncio, dos medos, dos traumas. É vitima das tristezas, do que foi desejado e não tido, do que foi traçado e não percorrido. Do que foi sonhado e não percorrido. O amor é um lugar perigoso, porque dele fazem parte metades de todos. É um lugar onde feridas são apenas desejos a serem cuidados por outros. É a devoção à salvação do eu.

Quantas vezes oiço dizer: " Eu só quero alguém que me ame!!" quando na verdade o foco principal deveria ser: " Eu preciso de me amar mais!". Há uma constante ligação entre a presa e o predador. Uma certa conotação entre amor e ódio, o que torna o amor, um lugar pérfido, negro e indesejado, para os doentes que sonham com curas incuráveis. Tem esse direito ao sonho. Tem o direito à cura.

Mas esperar dos outros é não termos nada para oferecer. Na verdade na maior parte do tempo andamos vazios, pensando que estamos cheios. O amor é um lugar perigoso, pelas ânsias que criamos e desejamos cegamente dos outros, quando não criamos ordem e valor em nós. O amor torna-se perigoso, porque muitas vezes lidamos e lideramos lutas entre meninas e homens, entre meninos e mulheres.

Há sempre alguém que ainda não cresceu o suficiente na percepção do amor. E por isso mesmo o amor no spot errado...torna-se perigoso. Amor sempre foi e será feito de três palavras: Verdade, Transparência e Devoção.

Verdade naquilo que os dois acreditam, transparência na forma como abrem as cortinas da sinceridade um com o outro e devoção no comprometimento de um amor saudável e num barco que não que não seja xenófobo e egoísta nas escolhas que faz.

É preciso que o amor seja um complemento de alegrias e não de toxicidades. Que seja uma festa a todos os intervenientes e não uma sessão de autógrafos onde o monologo do amor passa a ser apenas aquele que escreve a história. É preciso que tenha vida, chama intensa, que seja feito de criatividade, de entreajuda e não de um rol de críticas.

Detesto o criticismo no amor, a critica altiva, o mal pelo mal, o egoísmo exacerbado daquele que ama humilhando o seu parceiro. Sempre detestei amores críticos e desprovidos de um olhar intenso sobre si mesmos. Vocês sabem...o amor é um lugar perigoso...

A nobreza do amor não carece de burguesias, porque, para que o amor não seja um lugar perigoso é preciso que a burguesia se encha de amor próprio e de verdade em si mesma, para que possa dar o devido crédito ao ato de ser nobre no amor...  



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