O TEU PATRÃO GRITOU CONTIGO? LIGA O "FODA-SE!"




Aristóteles, um antigo filósofo grego dizia: " Um homem que não se curva, não endireita os outros."


Esta frase tão simples, singela, traduz na verdade um conceito muito mais poderoso. A humildade. Humildade que para muitos atua como alguma forma de anti-humanização.

Ao longo dos anos, tanto eu, como tu desse lado (não o trato por você, apenas porque quero poder escrever livremente e liberto de amarras) enfrentamos, deparamo-nos com diversas situações onde a "Ira" de um homem ou mulher, patrões e patroas, os génios complicados, ou a estupidez nata, reflete-se em nós como conceito de suprema subserviência de sermos conotados como carne para canhão.

Ao longo dos anos em alguns trabalhos, diversas empresas, tive a oportunidade de lidar com todo o tipo de patrão e patroa. Umas e uns mais cultas(os) e trabalhadas emocionalmente, outras mais complexas, difíceis, irascíveis,  onde o nosso jogo de cintura com o tempo se vai traduzindo num certo encaixe emocional face a raivas ou imponderáveis evidentes, com os quais aprendemos a jogar e a equilibrar. Partindo sempre do pressuposto que percebemos como eles funcionam e desejam o trabalho feito. Mas há chefes e pessoas! Jesus Cristo era um verdadeiro líder! Pegou em 12 discípulos, pescadores, maior parte iletrada e colocou-os nas bocas do mundo. Até livros falam sobre as campanhas destes ilustres 12 homens!

Mas evidentemente pegar no conceito de líder, seja falando de um Jesus Cristo, Ghandi, Malcolm X ou Martin Luther King, verdadeiros líderes, de justiça social e transpor para este novo mundo de novos ricos e engravatados das jantaradas de empresários, de troikas é uma ofensa para a denominação de "Líder". Se tivéssemos líderes no país não precisaríamos de resgates financeiros  dizendo:


-Vá...325 milhões + 78 mil não são 52 e duas laranjas! Vamos bebé....faz lá isso de novo! Ai que o menino não estudo o suficiente!

Acho, senão mesmo porque não dizer, tenho a certeza, que de histórias de grandes líderes, maioritariamente os mesmos, esta dose de paletes de engravatados, fabricados ás pressas e muitas vezes com negócios e negociatas obscuras tentam a todo custo colocar-se na balança dos grandes heróis mundiais, com grandes feitos, gracejando a todos o quão importantes se tornaram. Tornaram-se importantes sim...e entram para a história como o novo movimento que trouxe de volta e de uma forma mais encapotada  a escravatura dos novos tempos.

Vejam....o vosso patrão grita, imaginando que até se saliva nos cantos da boca com deduções ou critérios seja de cumprimento de horário, seja de ficar mais tempo, seja de um trabalho mais criterioso que fique a brilhar, seja lá o que for. Ele grita não porque quer o teu melhor e que subas na empresa, mas sim, constatar perante todos de quem é o "Boss". É uma ideia que está tão enraizada de que gritando, ou até humilhando é a forma de manutenção de pessoas e empresas. Certo é que muitos ouvem e calam. Eu sei que dirão: Não posso sair, não devo sair...contas para pagar e afins. Percebo...mas deixem-me dizer uma coisa.

Sempre ouvi dizer que: Deus dá nozes a quem não tem dentes. Assim como: Quando se fecha uma janela, abre-se uma porta.

Não coloco aqui algum tipo de divindade como forma de tentar a sorte e vamos ver o que dá. Mas...estendo-a de todas as formas como se de uma verdade infalível se tratasse. Quem paga a tua saúde emocional? O teu equilíbrio? Quem te dá anos de vida numa vida que se pretende mais equilibrada? Quem pode fazer escolhas, mesmo sabendo que existe, medo, receio e possível desequilíbrio?

Mas se o teu patrão tem um "Piti" ou vários devido ao génio, forma que foi educado, traumas eventuais que tenha,  a própria personalidade que com o tempo e esta guerra que vai ganhando por te ver pisado e com isso, crescendo o sentimento que cada dia é mais forte...tu passas a ser o quê? Um rato de laboratório? Um humano caído em desgraça que enche os bolsos de uns e esvazia de outros para seu belo prazer?

Percebo em que em certos momentos nesta jogatana e necessidade negocial se deseje a todo o custo muitas vezes, conseguir chegar a bom porto. Colocar as "tropas a mexer", como se diria em gíria gramatical. Mas existe uma linha muito ténue entre a inteligência e a estupidez mumificada.

Já ouvi coisas no trabalho como dar por exemplo uma opinião e ouvir do patrão: "Mas os cães já falam?"

E na verdade nestas ocasiões dá vontade de dizer: Não falavam! Mas comecei a falar agora e a partir do momento que percebi, que a tua mãe teve um irmão gémeo...não é maninho?

Eu sei...eu sei! Muitas vezes as humilhações são grandes. Baixamos a cabeça em muitos momentos. Eu sei...existem filhos, comer para levar para casa, contas para pagar,carros, umas saídas com os amigos, namoradas ou mulheres que que se deseje "mimar" em algum momento, empregos a manter. Eu sei, não é fácil! É um sofrimento e uma labuta que não requer trabalhadores, sim heróis e heroínas!

Ainda assim a partir dos 40 (leva tempo...acreditem...) começamos a traçar um caminho inverso ao nascimento. A nossa estrutura de pensamento, de lidar com toda a panóplia de pessoas, digo patrões, já está de certa forma esgotada para desaforos.

O caminho que fazemos a partir de idade bem mais adulta, não é voltar a nascer. Impossível isso! De certa forma a honra perdida tem outra conotação quando em algum momento te gritam nos ouvidos e tu...cansado da vida, cansado de empregos, de pessoas, de patrões, de ganâncias, de atitudes impensáveis, passas a agir de outra forma em relação a tantas respostas hediondas que levaste ao longo dos anos. A ativação do "Fodasse", o teu grito de revolta, de insubordinação moral e necessária face a um ataque...passa a ter outro sabor.

Eu costumo dizer e trilhar para mim que o sucesso da lei do retorno, só pode ter sucesso, quando a mudança da vitima que ás vezes nos sentimos, só pode requerer alteração, no momento que decidimos modificar o panorama da nossa vida.

Durante alguns anos tive receio de fazer alterações de emprego. Será que vou arrumar emprego? Como  ficará a família? Como me manterei sozinho? Sem emprego o que farei e como farei? Ahh...é melhor ficar! Pensava sempre eu. Na verdade o pensamento nú e crú transformado por outras palavras era tão só: É melhor morrer!

Morrer pisado, humilhado, com sonhos despedaçados, com objetivos não atingidos. É melhor morrer e passo a redundância, no sentido de baixar os braços, baixar a humanização em mim mesmo e entregar-me de corpo e alma a alimentar os sonhos dos outros. Por mais um pedaço de pão? Por mais umas notas, para um quadro de um pintor de renome? Um carro valioso? É isso que passamos então a valer? A constatação de um número a fixar no outro e um vazio a deduzir de nós?

E ficando nessa "morte" de inatividade o sucesso de um...vira o insucesso de outro. O medo apodera-se e percebemos que nós não trabalhamos para sucesso nenhum a não ser mesmo o sucesso daquele que grita, esperneia ou espuma-se pela boca. O seu sucesso depende da força laboral do escravo que tem a seu cargo.

O lema: Trabalha o mais que puderes, pagarei o menos possível faz todo o sentido. Não para nós, sim para eles. nenhum patrão me ofereceu um carro novo, casa na praia, dividiu os sucessos da empresa, nenhum patrão me disse: Vai e espalha o sucesso de todos nós! Espalha o evangelho empresarial!

Mas em contrapartida, vemos o nosso dinheirinho no final do mês, todo contado, nota a nota, moeda a moeda e pedimos ao alto: Que não nos falte nada.

Humildemente ou nem por isso, senão mesmo por necessidade intensa, lá vamos no outro dia para o trabalho encher uma vez mais a caixa de pandora do patrão.

Agraciado com o nosso trabalho, subservientes que somos maioritariamente lá vemos o nosso querido patrão ou patroa, feliz pelas suas viagens, pelas suas compras, pelos seus gastos a rodos com toda a sua família. E tu...de repente começas a ligar o "Fodasse"! E não! Não me venham dizer que: " Ahh...estás com inveja porque ele tem e tu não"

Para as mentes menos cultas devo dizer que existe uma noção trabalhista que sempre partilhei. Justiça! A justiça, combate exatamente os desequilíbrios. Combate o anarquismo existente tantas vezes na alta roda dos patrões, onde entre batimentos de copos de champanhe se grita "Hip...Hip...Horray" pelos feitos alcançados e pela manutenção deste novo tipo de escravatura trabalhista. A justiça muitas vezes é a ligação do botão " Fodasse".


Porque se agirem imoralmente contigo tens toda a moral com toda a capacidade de responder moralmente à letra!

-Ahhh Bruno! Tenho medo de ser despedido! Não se pode responder ao patrão!!

-Não podes? Mas podes bater na tua mulher? Podes tratar mal os teus filhos? Podes trair a namorada? Podes trair amigos? Podes agir imoralmente contra quem te ama...não podes...contra quem te dá umas moedas paras as contas e se enche de regalos e de todas as iguarias? Ahh...Fuck you! Be a man!

Sim, foda-se para o patrão que humilha, para o patrão que não gosta que se fale com os colegas, que entra em pânico se demoramos mais 2 minutos no café. Foda-se para o patrão que grita porque tens o teu filho em casa e que outro vá tomar conta dele. Foda-se para o patrão que diz não poder pagar mais, mas troca de carro todos os anos e janta fora com a familia todos os dias. Foda-se para o patrão diz que não podes ir de férias, mas tira uns dias para ir descansar a Punta Cana! Foda-se para o patrão que humilha apenas pelo gosto de se achar um semi-deus e que na verdade como todos nós...não tem onde cair morto. Mija-se, caga-se e jorra sangue como todos nós. Mirra na morte como todos nós.

E no fim da vida que legado de "heróis" leva esta gente?

Como diria uma amiga: "Eu limpo as sanitas onde os empresários empresárias cagam, eu faço horas e horas sem dignidade ou respeito tantas vezes. Eu humilho-me para pedir um dia para tratar de um filho, quase que me ajoelho por chegar atrasada...para estes engravatados, cabrões do aproveitamente,  que não tem outro nome, andarem a encher-se do trabalho que prestamos...enquanto deste lado nos esvaziamos na saúde, nos medos, nos anos a fio de tempo perdido. "

Sim,  nós caminhamos menos fortes,mais cansados, emocionalmente desgastados. Vamos mais vezes ao médico, as doenças vão aparecendo cada vez mais, os ossos ficam mais desgastados. Tudo porque não soubemos dizer naquele dia, naqueles tempos um verdadeiro "Foda-se". E ás vezes o tempo passa e tu vês-te prostrado diante de uma TV, já sem idade para outro tipo de trabalho e perguntas: Porque não mudei? Porque tive medo de alterar? Porque me humilhei?

O teu patrão gritou contigo? Liga o foda-se! Vive...muda, altera, caminha...e realiza-te, pois um homem que não se compadece, curva perante a tua labuta, não merece o crédito da tua dignidade. 








Comentários

Postagens mais visitadas