AS MARCAS DAS FERIDAS...APOCALIPSE DA ALMA.

"Na altura em que a razão é capaz de compreender o sucedido, as feridas no coração já são demasiado profundas."

-Não achas que já estás ferida demais? Não entendo porque andas nesse corropio de relações. Tu não paras para pensar, para te dar tempo a ti mesma, para repensar as tuas reais necessidades. 

-Eu agora quero é viver a vida! Estou cheia de relações infrutíferas, de apostar todas as fichas e de repente falha algo!

-Essa falha é tua ou do outro?

-É uma consequência Bruno...repara, quando tu te apaixonas, passas a acreditar nem que seja momentaneamente que aquela pessoa vai preencher e preenche os requisitos para te fazer feliz. Depois já se sabe...é a conquista, o entendimento criado entre as duas pessoas, a química...e por aí fora. 

-E em que momento te crivas de feridas?


-Esse é o cerne da questão! Nós não temos uma bola de cristal. Tu vais percebendo, entendendo a forma do ser, enquanto ser, na medida em que a oportunidade criada, te leva a perceber como a pessoa se comporta em determinando momento. As pessoas aos poucos cometem confidências. Seja da sua vida social, financeira, passado, presente, segredos...e não todos. És bombardeado com informação que muitas vezes nada dizes...mas pensas e repensas. Então...dás tempo ao tempo e à medida que o tempo passa entendes em determinados momentos, que a pessoa por quem te apaixonas-te, de repente deixa de fazer sentido...de amor de cria amada...passas a um amor de dependência, sem sal, de luta pela manutenção, de espera, na esperança que as coisas mudem...alterem...e é exatamente aí que percebes que a pessoa está, os momentos ainda são vividos, mas o amor esse...morreu.


-Porque achas que não tens capacidade para continuar, ou porque deduzes que o ser amado vira objeto de dispensa fruto de um futuro incerto?


-Penso que ambas Bruno...penso que ambas. Eu não sou melhor do que ninguém, mas ainda assim, eu não quero viver amores sofríveis. O tempo urge, preciso de viver plenamente e de bem comigo.


-Mas não consegues viver bem contigo mesma, em vez de andares nesse looping de relações que só te magoam?


-Bruno, eu sou 100% feita de vida em vida. Não consigo ficar parada num consumismo de pensamentos que acabam só por confundir-me. Prefiro tomar um bom banho, pintar-me, vestir umas calças bem apertadas, produzir-me e correr atrás. Não há nada como tu viveres novas experiências, amares, teres paixões, viveres a vida. 


-Mas ao fazeres isso sabes que isso te irá consumir emocionalmente. Vais-te achar, vais-te perder...e nunca vais conseguir tapar todas as feridas. Além disso não achas que dares um tempo a ti mesma não seria melhor do que te auto-mutilares com o que não aconteceu, com o que aconteceu e não deu certo, com os porquês e afins?


-Bruno, com a vida não há tempo a perder com todas as questões que temos. As feridas, os conceitos, os porquês fazem apenas parte do sentido que é realmente viver. Sim, eu sei que errei muitas vezes, que a culpa de não ser melhor não é só do outro. A minha busca, o meu sentido não se completa no outro, mas ainda assim...esta fusão de amores, destes encontros e desencontros fazem parte de uma experiência do nosso próprio auto-conhecimento.


-Não te conheces fundindo-te com outro. Primeiro de tudo sabes quem és, o outro saberá quem tu és, seja pelas tuas palavras ou pelos teus atos. Mas ainda assim e como te disse um dia, cada um vale pelo que é individualmente. Estás a dizer-me que nesta fusão com outro, percebes ou perceberás quem és. Isso é uma negação ao sentido que dás à tua própria existência. Saberes quem és através do outro, é o mesmo que não saberes nada de ti. É preciso que te fundas comigo para saberes como sou? Não tens visão abrangente? Sentido de posicionamento? Opinião própria, emocional? Porque na verdade o que me dizes é que precisas do outro, para te veres a ti. Não! Estás errada! Por isso abres feridas, porque ao tentares essa fusão apenas procuras o melhor sentido, para dar às tuas próprias deficiências interiores. Alguém que chegue e te tape todas ou parte da imagem interior que tens, que te dê sentido, ele não te e está a dar amor...está a dar-te apenas um penso...nada mais. O resultado depois desse penso que te dá...é que ele se vai descolando na medida que as tuas necessidades, a tua forma de ser, o teu jeito vai ficando mais exigente com todas as outras feridas que possam aparecer. De um lado tens marcas das tuas feridas, mas não havendo salvação para todas, terás um apocalipse da alma.


-Apocalipse da alma? Tu fumas aqueles coisas que fazem rir não é? Tu e esse teu lado de seres um "Dalai Lama" júnior...ohhh Bruno...a vida é um conceito diversificado para cada pessoa. Vou ser pragmática e dizer com todas as letras. Ás vezes somos umas vacas, outras vezes  uma queridas. Sim, gostamos de dinheiro, de homens, de curtir a vida, de a vivenciar. Tant De gente bonita, sorridente, de trato fácil, inteligentes e cultos. Sim, muitas vezes caímos no abismo. Mas amor não é isso mesmo? Entre o céu e o inferno? Entre o bem estar e o mal estar? Entre o desejo, posse, tanto faz, bem me quer e mal me quer? Sim, perdemos pessoas, ganhamos outras, esquecemo-nos de uns e reverenciamos outros para o resto da vida. Há pessoas que nos marcam pela positiva e outras infelizmente e por diversas razões, por caminhos que não foram os mais certos, acabam por nos deixar marcas. Mas isto é a vida! È a consequência que tiramos de todos os caminhos e escolhas que fazemos. Eu ainda acho e digo sempre que há pessoas que apareceram simplesmente nos momentos errados. E talvez por isso por essa consequência as marcas já de si marcadas por outros nos dêem um cansaço e feridas emocionais  muito maiores.


-Depois disso já nem digo nada...olha...o tempo aqui no motel está quase a terminar...ve lá se o teu namorado não descobre....


-Deixa-te de coisas...a vida é para se viver...


-Claro...como as marcas são para se manter...

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