AMORES PERDIDOS


"Perdido é todo o tempo que em amor não se gasta."

Seja em conversas, seja por experiência própria de todos nós há uma faculdade emocional inerente a todos. E essa faculdade emocional que também nos adorna de conhecimento, de aprendizagem e de percepção reflete-se na ideia de que sentimentos tidos por A, B ou C, fazem e farão sempre parte do principal sentido da vida. "Love is all Around" já dizia a música. O amor está em todo o lado. Em cada esquina, num olhar, sorriso, abraço. As experiências na arte de amar que vamos tendo tem de ser sempre repartidas em dois atos. O antes e o depois. O antes reflete toda a jornada iniciada no ato da conquista, nos momentos saborosos em que os mesmos se traduzem em felicidade, mesmo que esta seja momentânea.


A partilha, cumplicidade, dar, receber, saber escutar, estar presente e fazer-se presente. As promessas, as ideias, a química, os objetivos, tudo vai sendo delineado. Mas em algum momento em que o tempo não espera, em algum momento em que o tempo não partilha da ideia do estar e ser, mas sim do querer e fazer denúncia lados mais obscuros, lados mais negros quando todos nós nos entregamos. É um facto indesmentível que nesta condição de humanos à mercê de uma panóplia de situações, momentos,sejam sociais, financeiros, emocionais, familiares e individuais o tempo determina para cada situação seja um caminho a dois, seja navegar solitáriamente no seu barco.


Amores perdidos no tempo foram no tempo os melhores amores. Foram os melhores, os mais capazes, os mais instruídos, os mais necessitados. Foram o presente, foram o passado e o futuro. Foram a construção, foram o desejo, foram o sentido prático de todos os objetivos e necessidades que aquelas duas pessoas preconizaram. Foram o topo, foram fortes, destemidos, amigos, aventureiros, cúmplices. 


Mas o tempo não dá margem de manobra para todos aqueles que em prol da sua necessidade, estado ou capacidade em tantos momentos ficam órfãos da sua própria ideia de amar. Vejam...na arte de amar, tanto como saber amar ainda todos andamos nesta escola da vida, de colo em colo em busca de um predicado necessário que viabilize esse amor, essa necessidade. Recomeçamos sempre, seja na partilha, cumplicidade, amizade.


A entrega, a conquista e tudo o resto necessário para a manutenção desse amor com as duas mãos é carregada sempre do melhor de nós. Caras, corpos diferentes, bocas diferenciadas, vamo-nos deleitando com os presentes que vamos recebendo na vida. Mas de repente esses nossos grandes amores são apenas e em tantos momentos paisagens no nosso quadro de memória. Fazem parte do álbum das nossas recordações. Provavelmente e já mais idosos nem mais nos lembraremos do nome ou saberemos soletrar na memória o sentido da frase " Eras Tu".


Ainda assim, os amores perdidos fazem parte de nós. São parte intrínseca de nós mesmos. Somos um livro dentro do próprio livro. Todas as linhas são nossas e deles. Todas as frases são fruto de tudo o que demos e nos deram. Sim...eu sei, hoje da mesma forma que cruzamos olhares, encontros em alguma rua, cidade ou país com aquela pessoa que já fez parte de nós...jamais nos podemos esquecer que o sentido da frase " Eras tu", reflete-se na mesma medida na ideia de que: "Ainda és tu". 


Porque enquanto vivermos...todos vivem em nós.

Comentários

Diana Fonseca disse…
É verdade. Por mais doloroso que tenha sido, esses amores fizeram de nós o que somos.
Andreia Morais disse…
Estes amores, pelas características que carregam, também nos ajudam a crescer.

r: Muito obrigada!
Bruno Fernandes disse…
Obrigado às duas pelos comentários.

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