A MINHA FORÇA CONSOME-SE DA TUA FRAQUEZA - A VISÃO RASCA DO AMOR.


Tolerância é uma das bases mais importantes de sustentação do nosso ser. É o que que nos impede de sermos tantas vezes impulsivos, repulsivos, imorais, insensatos ou na luta que temos entre amores e desamores que vamos encontrando é uma das chaves que leva também à compreensão. 

Compreensão essa que é a base com que sustentamos também vivências, defeitos, formas, olhares, indefinições, medos, receios dos outros. Somos muitas vezes e maioritariamente muito para os outros e os outros dão tão pouco deles para nós.

As visões, vivências riquezas ou pobrezas emocionais de cada um leva, muitas vezes a que morra o amor num deles, enquanto no outro, incumbe a triste sustentação de continuar a levar esse amor presente, mas inexistente. 

Não há pior coisa que amares sem ser amado e perceberes essas falhas de amor tão visíveis nas relações que vamos tendo, são uma incumbência inerente à aprendizagem que cada um deve ter para si.

Durante anos habituamo-nos a ouvir de uns e outros projetos de amor. Projetos da consciência na arte do desejo de ter para nós o que acalentamos. Segurança, amor, carinho, vivência, liberdade, transformação. 

Aquele amor que torne sustentável a visão que criamos para nós. A possibilidade de amar não é mais do que a infelicidade de poder vir a perder. É um risco que nunca é sustentado.

Até porque na sustentação que pretendes dar ao outro exige de ti mais do que aquilo que acalentas que o outro te pode dar a ti. Amar é um tiro no escuro de almas que são órfãs da aprendizagem na arte da tolerância e sustentação. Diferenciações de uns e outros que de repente se encontram e se perdem na ilusão de que tudo aquilo é o que se deseja. 

É o estado inicial do deslumbramento quando vens de situações complicadas no amor, quando estás vulnerável e queres tanto voltar ao estado inicial que te perdes nos braços de uns e outros nessa busca. A prostituição no amor, em tantos olhares trocados, em tantas camas diferenciadas, em tantas bocas beijadas não te ensinada nada a não ser mesmo o ato inicial da busca de nunca te teres encontrado em ti mesmo. 

Um looping invariável de cores e sabores que denominamos como aprendizagem quando na verdade é um conceito falseado pela falta de coragem de nos vermos verdadeiramente ao espelho. O medo de perder liberdade, o medo de enfrentarmos de frente quem somos, como somos define-se falsamente por "Busca pelo amor". 

Tive a sorte de ter tido uma relação onde pude constatar duas vertentes inegáveis no que toca ao amor. Tolerância perante traição. Amor perante humilhação, cuidado perante criticas, carinho perante mentiras. Joguei sempre no meu melhor dando o que de melhor sempre tive. De peito de frente às balas optei sempre em primeira mão pela felicidade do outro, pela liberdade do outro em detrimento da minha. Preferi sempre ver o outro de sorriso farto e "barriga cheia" do que me ver feliz com a infelicidade do outro. 

Por muito que sofras sempre tive para mim que no que toca a sustentação , tolerância, capacidade de amar, capacidade de sofrimento, saber aguardar os momentos da vida são sem dúvida o grau mais alto do amor. O que aprendes, o que define o teu carácter não são várias bocas, experiências, camas, pilas ou vaginas que nos dão a real dimensão do amor. 


Uns e outros agarram-se e tentam salvar-se de acordo com os ideais que tem para si e a diferentes tipos de amor. Eu mesmo já tive a visão do que é vivenciar diversos tipo de amor, com diversos tipos de consciência e da capacidade que cada um tem de entender para si o amor.

Tive namoradas que privilegiavam a família, a lealdade, a honra feita aos filhos, ao trabalho, profissão, educação. As primazias que cada uma dava à sua visão de amor alternava de consciência em consciência. Passei por todas as fases como todas as fases como tantos outros. 

A sede de conquista, o desejo de ter, o fogo, a paixão, o tesão, o carinho a busca pela eterna vontade de ser feliz com alguém que busca no essencial o mesmo, mas que difere nas formas e abordagens, na variação de feitios, na instabilidade do ser e nas falhas de amor e carácter interior. 

Costumo dizer sempre em tom moralista que não me fodam a visão de verdadeiro conceito de amor com explicações tardias e inconsequentes que amor subdivide-se em variações de estados financeiros, profissões, habilitações literárias ou outros. Já cheguei a ouvir: " Tenho azar porque se me apaixono por uma pessoa bacana é porque depois é pobre". 

Este tipo de amores, ou consciências de amores hierárquicos para sustentar a liberdade, o bem estar, o equilíbrio são definições que por muito que custe, é o desejo de cada pessoa tem como definição de amor para si. Por isso... não me fodam com definições rascas de amor...

No cerne de todo o amor vive a eterna liberdade de dar, receber, amar e fazer cultivar o amor. Apenas e só esse mesmo diamante que recebes e tens de cuidar. Já tive todo o tipo de pessoas. As apressadas no amor, as deslumbrantes que se perdem no seu próprio brilho e se deixam levar pelos prazeres do mundo, já tive pessoas que nunca quiseram saber de onde vinha ou o que tinha, já tive pessoas que por amar tanto criam o controle de todo o amor, como se ele tivesse um comando de "faz isto, ou aquilo". 

Já tive e tenho todos os dias de variadas formas provas de amor, de carinho, de sustentação daquilo que eu sou. Ou seja existe um equilíbrio nato entre a manutenção de me ver como sou e os outros me verem como eles são em tantas formas de me expressar que tenho em mim todos os amores do mundo, todas as amantes, todas as dúvidas e respostas e ainda assim...todas as dúvidas inerentes a tantas caras novas que nos aparecem.

E dar significado resume-se a ser tolerante, a saber esperar, a embarcar em mares calmos, sabendo que há tempestades que se avizinham. Caberá sempre aos mais fortes, destemidos, mais bem preparados conduzir com todas as forças quem aprendeu a amar-te, mas perdeu-se na tempestade em cores e sabores que não conhecia. 

E tu estás sempre lá com uma palavra, com uma oratória que leva a pessoa a encontrar-se. Estás sempre lá nem que seja para vestires os pés frios de quem amas com umas meias rotas. Estás sempre lá mesmo sabendo que não há mais amor, porque nunca duvidas que tu amas tanto que o cuidado que tens é libertar com amor quem te ama sem amor.

Não há pior coisa que entregares o teu coração nas mãos de outra pessoa e perceberes que o que faz com esse amor é coloca-lo numa prateleira. A dura realidade é que tu sustentas o amor, com todo o carinho, como se vivesses num reino de fogo, onde a única flor imaculável é aquele em que tu defendes com a tua vida. 

E mesmo percebendo que aquela flor não quer mais ser regada e tratada por ti, tu insistes de uma forma tão paciente para que a mesma se lembre que afinal aquele amor é o único amor sustententado, carinhoso e de sensibilidade extrema com o qual tu podes contar em todas as horas. Essa é verdadeira alegria do amor, o verdadeiro regozijo de quem sabe e entende que alguém que segura insistentemente será alguém que com toda a certeza jamais deixará que possas cair seja qual for o teu infortúnio. E essa é a sustentação do amor. 

Ninguém está preparado para as perdas, porque todos escolhem o seu caminho livremente, cada um morre sozinho por muita gente que haja à volta. Cada um adoece na cama de um hospital com a sua doença. Cada um fica e pinta o quadro das suas memórias com as suas vivências e apenas suas de si para si. 

"Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Suportar, não meramente tolerar ou “aguentar”, mas sustentar com amor." -  Paulo de Tarso

A questão que sempre em coloco é: Eu estou sempre preparado para ti...mas será que tu estás preparada para mim?












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