ENGANADO SÓ É QUEM CONFIA

Tenho para mim que o projecto delineado com a constituição de uma mentira diz muito daquilo que o ser humano tem e consegue projectar no ato de ludibriar. Afinal quem nos conhece verdadeiramente? O que sabem de nós? O que sabemos dos outros? A enganação torna-se mais facilitada ainda,  para aqueles que conseguem usar a sua imaginação como verdadeiro conceito de defesa pessoal. Quero com isto dizer que a facilidade encontrada numa mentira é mais propícia do que contada numa verdade aos olhos de quem se ama, quem se deseja, quem não se quer mal algum ou o desejo de enganar. Por muitos anos, seja nas relações que se vai tendo, com amigos, conhecidos, colegas e outros, deparei-me com a consequência que pode ter este ato milenar de fazer o outro de estúpido. Essa arte não é perpetrada por génios da verdade com conceitos sólidos de ética ou moral. Não existem! Não há um único justo no mundo que se digne de ser chamado disso mesmo.
Benjamin Franklin tinha uma frase que dizia:  "Enganado só é quem confia."
Enganamos quem confiamos e amamos porquê? Ludibriamos, engenhosos seres que somos e de faca em punho somos capazes de um abraço apertado, disfarçados de lobos em pele de cordeiro. Esta arte engenhosa que existe como forma de alimentarmos o nosso eu com a nossa individualidade, desejos e afins, fazendo perpetuar no outro a arte da estupidez. Já dizia um amigo meu que: " Ser ignorante é uma arte que poucos tem acesso".

Por norma nesta fantástica arte de mobilização às vezes até de massas, fruto das loucuras e devaneios de cada um, que por si só nos remete exactamente aquilo que somos. Insignificantes e trituradores de morais e éticas que se soltam da boca para fora como desculpas esfarrapadas das tristes figuras que tantos fazem.  Em nome da individualização, de alimentar o ego, tudo vale para a manutenção da minha alma, consciência e relatos memoriais para mais tarde recordar. 

Portanto e como diria Charlie Brown Jr : "Impunidade, hipocrisia dançam de mãos dadas"
Para mim deixou  de caber já há muito tempo, frases como: " Sinto muito"; "Não foi por mal", "Não sabia o que estava a fazer"; "A minha intenção não era magoar"; " Nunca quis fazer isso contigo" e outras que muitos se podem rever.
Eu sei...e até compreendo que sendo de carne e osso, com mentes voláteis conforme o panorama em que estamos inseridos é inevitável que danos causados, muitos deles irreparáveis, são fruto acima de tudo da estrutura e mentalidade, capacidade de cada pessoa.

Tudo pode ser perdoado, tudo pode ser conversado, tudo pode ser trabalhado de forma a encontrar um equilibro na confiança, no ato de dar ou perdoar. As mentiras, as inverdades, a forma como ludibriamos e tantos ficam impunes no alto do seu pedestal...é algo que é assombroso. Sempre vi a mentira ( que já a usei, criei, ludibriei, enganei) como uma arma potenciadora de gerar em mim por momentos de puro prazer na minha individualidade e no que achava ser o melhor no momento. Fosse por divertimento, fosse por prazer, fosse pelo ato da enganação, traição. A convivência com a mentira é dos atos mais corajosos e indecorosos, perante o outro que conheço. 

Mas o maior ato que recebi em troca...foi o retorno. Como eu costumo dizer: "O cinto do meu Pai do Céu para educar-me convenientemente"

E recebi sempre de braços abertos. Porque sabia que tinha que aprender e que o fosse da pior forma! Nunca questionei o alto, pelos azares da vida ou problemas que pudessem acontecer. Bastava abrir o livro de memórias, da minha vida, para perceber que o que fiz ontem..pago hoje. Não há nada mais simples. 

Dessa mesma forma, não me achando justo...vou limpando a minha alma, educando o meu ser...porque quem quer que esteja do outro lado, quem quer que seja que me tenha para si...merece o melhor.

BM











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