O ANDAR ERRADO...NO AMOR.



Durante esta semana lembrei-me das várias formas e formatos que vamos tendo para nos concentrarmos nas relações que vamos também arranjando. Pessoas novas entram e saem da nossa vida como se de um fila para tirar senha se tratasse. É o crescimento puro e duro, é o conhecimento, aprendizagem, mas acima de tudo é também uma certa inconstância interior que carregamos em nós em busca sempre do melhor e pelo melhor. Tudo o que nos agrada...desagrada.

Colocamo-nos na  fila para  tirar a senha do amor. Quem é agora? Quem se seguirá? Quem arrebatará o meu coração? A quem eu sucumbirei? Quem sucumbirá a mim!? O medo da infelicidade, da solidão, do “chato” em estar sozinho , acarreta em  nós uma dosagem de adrenalina pura de pressa em sentir o pulsar da vida, do amor, dos bons sentimentos.

A senha da necessidade, do carinho, da reciprocidade. A senha  da fidelidade, da coerência, dos objectivos, da presença. A senha da responsabilidade, da maturidade. A senha do beijo, do toque, do olhar.

O amor faz parar o tempo, mas não faz parar a fila.   A fila anda, desenvolve-se, cresce, assume-se, 
refaz-se, recicla-se. A fila enerva-se , apega-se e desapega-se. A fila ama todos e não ama ninguém. A fila é a face do desconhecido, das trocas, das faces que passam, que ficam, que se perdem no tempo e que perduram.

 Tantas não são as vezes,  que caímos no erro inadvertido de tirar a senha errada. Algo que aprendemos ou tentamos aprender a não o fazer novamente. Não queremos concerteza ir para o andar errado. Mas tantas vezes vamos caindo nele.  Traduz-se não, numa sucessão de erros, mas sim numa sucessão de traumas.  
Que na verdade e com o tempo nada acrescentem, a não ser mesmo a memória de ter tirado uma senha  inválida. A senha doente, da hipocrisia, da ostentação, a senha aproveitadora, a senha que não é mais do que um rolo compressor da  matança da autenticidade emocional.

Os andares errados não são valorizados nem valorizam, não são contemplados com a benção que se acrescenta a uma felicidade duradoura e nem abençoam. São lixo emocional. Que varremos em círculos de porquês e como aconteceu? Mas no andar errado as palmas são eternas. As palmas ao abismo dos outros em detrimento do seu. “Antes eu que tu” é o que se ouve no andar errado. No andar errado o plano passa por ser eu. E não nós.

Estatisticamente a força da valorização, do empreendedorismo no amor, no cálice dos sonhos e objetivos transformou-se numa vã prostituta qualificada e focalizada no seu umbigo. Esse é o andar errado. O andar da luxuria, dos secretismos, dos lobos e lobas vestidos de pele de cordeiro. Vemos nesses andares vidas vazias, medos irracionais, rolos compressores de anti-amor. Deparamo-nos com a futilidade e o descaso. A  imaturidade, incompreensão. Deparamo-nos com egos inflamados. Com vidas felizes à custa do sofrimento dos outros.

No andar errado nada aprendes, ninguém se arrepende. No andar errado a vida não funciona como uma experiência. Funciona como uma repetição. Um selo de autenticação da verdadeira face oculta Não existe aprendizagem, sim repetição. Não ha nada a aprender. Não há nada a reter. No andar errado vive o sugador de energias. O usurpador da tua bondade, da tua essência, vive no andar de onde nunca quer sair.

Porque é o andar que moralmente e eticamente pode ser o pior...mas é o que lhe sabe melhor viver. É o melhor andar para se estar.  A visão do andar errado não carece de sofrimento. Os andares errados fogem do sofrimento, fogem dos verdadeiros amores. Apaixonam-se pelos hologramas criados pelas suas próprias mentes e entregues ás cobaias que por eles se deleitam. No andar errado vive o “test Drive”. Vivem filas enormes que se entregam e perdem de amores aos desígnios e tentativas de fazer delas e deles reis e rainhas de castelos de areia.

 No andar errado não se sabe o que se faz, apenas se vive com que se faz. Não há tempo para sofrer, não ha tempo para dor. Não há tempo para pensar. A vida urge, o tempo aproxima-se, o momento é este. É o andar dos egoístas ou dos proclamados com amor próprio? Dos fingidores. Dos regimes ditatoriais dos seus umbigos. O andar dos apaixonadamente desapaixonados pelo amor. É um andar que não existe nem Deus e nem Diabo.

Hoje poucas são as crónicas de amor. Hoje existem enredos desconhecidos, caprichos interiores que tem se ser preenchidos. Palavras endurecidas, olhares massacrados pela falta de humanidade e verdadeira capacidade de amar, deambulam à procura do conceito certeiro e duradouro. Perdeu-se a verdadeira capacidade de amar.  Temos todos pressa que floresça no nosso deserto um oásis.

Nós desejamos que a nossa vida seja assombrosamente arrebatada por um grande amor, que nos consuma, que nos assalte os pensamentos em todos os momentos. Esquecemo-nos normalmente que vivemos tradicionalmente numa ficção interior onde criamos cenários com pessoas que na verdade nos são completamente desconhecidas. Os seus hábitos, criação, dedução, formas de ver e estar. Contemplamos verdadeiras ficções que quando realizáveis  e realizáveis de forma a que essa tradução de desejo que temos não nos seja real como desejaríamos, voltamos a tirar nova senha.

E quando a tiramos...a pergunta é sempre a mesma:
Em que andar vou entrar?


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