QUE VERSÃO SOMOS AFINAL?



Quem sou eu? Forte? Fraco? Alegre? Triste? Sádico? Masoquista? Inteligente? Incoerente? Reducionista? Falador? Justo? Injusto? Mau feitio?Bom feito? Bonzinho? Safado? Malandro? Crente? Descrente? Rigoroso? Impaciente? Rico? Pobre? Feliz? Infeliz? Perfecionista? Imperfeito? Perfeito? Defeitos? Qualidades? Estratagemas? Mentiroso? Verdadeiro?Poderoso? Insatisfeito? Coleccionador? Confiante? Ambicioso? Maldoso? Leal? Fiel? Esperançoso? Carinhoso? Amoroso? Insensível? Defeituoso? Espirituoso? Engraçado? Consequente? Inconsequente? Fogoso? Meloso? Dedicado? Irreverente? Aventureiro? Lindo?Feio?Vazio?

De todos os adjectivos que nos possam afirmar e reafirmar de que forma ou matéria somos feitos, todos os acima descritos, não existe um sequer, que não faça no seu âmago parte de nós. Uns mais salientes que outros, uns mais brilhantes que outros, uns mais à vista desarmada que outros, reflectem um pouco do que somos. Sempre tentei dividir os maus adjectivos e bons adjectivos.  

Dos bons nunca tentei fazer deles a bandeira da conquista do topo do mundo. Tenho sempre medo de subir alto demais e o abismo por baixo de mim, dá-me sempre um alerta sério naquilo em que tenho de me concentrar.

Dos maus, tento entende-los da forma mais equitativa possível, percebendo e deduzindo para mim o melhoramento a ter, para que a pessoa em si, eu mesmo, possa reverter os defeitos em qualidades.

Tentei sempre equilibrar entre o que achava ser indigno para digno. É indigno ser malandro, safado, incoerente, mentiroso,insensível, sádico,.maldoso. Adjectivos como estes levam a falhas imensas de personalidade e carácter. Que naturalmente todos vamos escamoteando com os adjectivos bons que temos. Para tudo temos sempre um "Porquê". Temos sempre desculpas que visam adornar as falhas de personalidade com as consequências da vida e momentos.

Somos tanta coisa e tantas pessoas, como na verdade somos todos e não somos ninguém. Somos a chave que abre a porta de casa de encontro à felicidade,  como somos a chave da solidão e vazio.

Somos o silêncio e a festa rija dentro de nós. Somos o circo vazio. Somos um pouco deles e eles um pouco de nós. Mas somos quem afinal, se na verdade nada somos uns dos outros? Somos solitários, indigentes, aventureiros e mutilados. Somos parte de tudo e parte de nada. Somos um ser que morre por si mesmo. Somos de uma alma? Somos de todas as almas? Somos o chão que pisamos? O céu que vislumbramos? Somos parte do mundo? Ou será que o mundo é parte de nós? Sou a flor que planto? Ou sou o jardim do desencanto? Quem somos nós afinal?

Somos o estranho que beija outro estranho?  Somos o que queremos ser e entendemos não ser tantas vezes? Sou o que fazes de mim? Ou és o que sou de ti?  Somos o sol...somos a lua, somos feitos de todas as estrelas? Ou somos o  vazio da noite nos nossos pensamentos?  Somos a gratidão da mão estendida? Ou somo a ingratidão da mão recolhida? Mas somos quem afinal?

Desejamos, encetamos batalhas, perdemos e ganhamos! Corremos , deduzimos, amamos, somos crivados de feridas, somos feridas fechadas e abertas. Somos guerra e paz! Somos sonho e esquecimento.  Mas somos quem afinal?

Somos o que amamos? Amamos o que somos? E quem nos ama? Ama tanto como amamos? Somos diferentes? Pensamos igual? Somos parte de outro? Ou somos parte de um todo? Ou não somos nada afinal? Sou a lágrima que afago? Sou o presente de Deus? Ou sou o presente da vida? Sou as palmas do público? Ou sou o anfiteatro vazio?

Realizamos, entendemos , percorremos, apaixonamo-nos, desestabilizamos! Vamos em frente, voltamos atrás. Seguimos, corremos, caímos e levantamo-nos. Mas somos quem afinal?

Somos o estranho que troca olhares com a estranha que lança um sorriso? Somos casados, somos viúvos, somos solteiros e interesseiros? Somos momentos? Somos felizes? Infelizes? Mas somos quem afinal?

Somos a arte, somos a guerra, semeamos e destruímos. Somos o amor, desamor, somos a culpa e o punhal.

Somos fortes, fracos, rigorosos e pacientes. Somos isto e aquilo, gritamos, reafirmamos, pisamos e enganamos. Mentimos, deduzimos, orquestramos! Palmas? Para quem?  Mas somos quem afinal?

Sou verdadeiro, antecipado, aventureiro e realizado. Não sou gente, não sou mundo...sou eu alguém afinal?

Amo A, B e C. Amo, reclamo, deduzo e engano. Vivo, martirizo, perdoo e desafio. Rasgo, colo sentimentos, subo e desço as escadas. Sozinho,. acompanhado, visto-me, dispo-me, não me vejo. Mas quem sou eu afinal?

Vibro, canto, danço, grito. Ahhh maldito grito que me assolas, o que me queres e o que desejas? Mas quem sou eu afinal?



Comentários

Claudia Dias disse…
somos os que somos e pronto :)

Postagens mais visitadas