PENSA BEM EM QUEM TU ÉS...





"Não se deve esquecer a seguinte regra: o inconsciente de uma pessoa se projeta sobre outra pessoa, isto é, aquilo que alguém não vê em si mesmo, passa a censurar no outro. Este princípio tem uma validade geral tão impressionante que seria bom se todos, antes de criticar os outros, se sentassem e ponderassem cuidadosamente se a carapuça que querem enfiar na cabeça do outro não é aquela que se ajusta perfeitamente a eles." -Carl Jung


Durante anos percebi e percebo as mudanças que as pessoas vão tendo de forma a sustentabilizar prazerosamente a sua relação com outros. Seja como amigos , seja com namorados. Vi tanto o desejo de entregar ao outro de mão beijada a sustentabilidade dos seus desejos, do que as pessoas querem para si, que perdi a conta à energia retirada de um,  para deixar o outro ligado no máximo. 

O deixar de sermos nós mesmos, para alimentar o "monstro", de forma a que o mesmo não tire os olhos de nós. Vi muitas vezes pessoas deixar amigos, conhecidos, ausentar-se de conversas, de encontros, porque o outro ou outra não gostava. Sempre fui completamente a desfavor deste tipo de amor míope, egoísta e individualista. 

Determinada amiga, dizia-me: Amor não é sobreposição. É justaposição. 

Uma frase que é determinante na concepção do que é e não é. E maioritariamente vemos e sobreposição e não a justaposição. O "Quem és tu" ou "Quem somos nós", tantas vezes inquisidores do outros, de nós mesmos, produtos de mesquinhices, de regras impostas, de críticas, do "bota abaixo", de ciumes lunáticos, de percepção de medos não existentes, mas criados nas fantasias dos outros, fazem com que o "Eu sou" passe a ser "Talvez seja".

Vejam...maioritariamente uma suposta mentira totalmente descabida , pode-se tornar uma verdade totalmente certa e concisa. Quem somos nós depende sempre muito da força interior e capacidade emocional de justiça interior e capacidade de perceber que os nossos valores, fé, determinação, lógica e personalidade, transformam e caracterizam o nosso carácter. 

Quando nos apontam o dedo, quando nos criticam, quando muitas vezes ao longo dos anos damos tudo aos outros , deixando-nos de parte, estamos apenas a fazer com que aquela pessoa seja exactamente como ela quer ser. Por isso tantas vezes a nossa energia é sugada até ao tutano. E maioritariamente somos descartáveis como uma lâmpada fundida. Chamem-me louco, mas isto para mim, deixa-me completamente feliz. 

Quantas vezes não escutamos: "Tu não és aquilo que eu achava que pudesses ser". Não!! Errado! A questão deve ser colocada de forma totalmente diferente: " Eu, não sou aquilo que supostamente deveria ser"! E ao não ser deixo de parte quem sou para agradar ao que o outro quer ser. Há que saber equilibrar o ser e não ser. Há que saber fazer concessões, há que saber realizar o irrealizável com ponderação, amor e equilíbrio emocional.  

Vejo e vi durante anos, escolhas, um vai e vem de relações, de cumprimento e incumprimento de parte a parte. De decepções e tantas vezes balanceamos entre o "Amo te tanto" como " O não te amo nada". É perfeitamente imprescindível para mim a quotização do ser e não ser, do estar e não estar, do predicado em si que carece e necessita o verdadeiro ser que somos e tantas vezes nos rebaixamos para em prol do outro ele tenha a alegria sobreposta de ter e poder em detrimento de mim. 

A sobreposição ao que eu quero em relação ao que o outro me pode dar resulta e resultará sempre num vai e vem de questionamentos errados. Não existe e nunca existirá a pessoa certa. O homem ou mulher ideal, a alma gémea. Isso é fruto da descaracterização imposta por nós mesmos e sobreposição de valores e de ideais aos desejos inconquistáveis de um ser humano sobre o outro. 

Seria conquistável se durasse para sempre. Mas a conquista torna-se verdadeira conquista exactamente pela  justaposição, equilíbrio, carácter e determinação que resulta num andar de mãos dadas e remar o barco do nosso eu em conjunto rumo ao porto da pretensão da felicidade. 

Somos muitas vezes autênticos abutres de energia. Muitas vezes escutei: " Eu sou como sou, sou quem sou". Existe uma diferença entre ser como sou sem concessões e ser como sou com todas as possíveis concessões que determinam o equilíbrio entre o "Amo te" e "Não te amo". As desilusões acontecem porque são meticulosamente e repetidamente padronizadas de um para outro. 

O "despe e siga" de relações reflecte o quanto pouco humanizáveis e socialmente egoístas somos todos no que desejamos maioritariamente para nós. Sobreposição ao outro exemplifica o quanto exigentes somos para o vazio. 

Entendam...que a exigência, as criticas, o quero, posso e mando, a teimosia que  subliminarmente imposta de um para o outro, acaba sempre e sistematicamente num poço sem fundo. De vez em vez encontramos as pessoas sozinhas. Quando me dizem: Ando em busca do amor, prefiro que essa determinação falsa e utópica seja traduzida em: Ando em busca de mim mesmo. 

Porque na verdade continuamente tentamos procurar no outro o encaixe que  equilibre os defeitos e formas de ser e de sermos quem somos. É uma busca contínua de não visualizar com olhos de ver diante de um espelho quem somos na verdade.

Teimosos, egoístas, individualistas, lá andamos nós num carrocel ilusório do "É agora!" Ninguém se doa a ninguém. Utilizamo-nos uns dos outros para prazerosamente irmos preenchendo dores, feridas e com uma total incapacidade de nos apresentarmos nus e sem máscaras. O medo, o receio de sermos rejeitados tantas vezes em diversas áreas por sermos o que somos e  mostrarmos o que não somos é a arte da enganação do amor. 

A verdadeira identidade só é tida como encontrada quando se reflectir na justaposição equilibrada. Sem máscaras, sem medos, sem receios, de mão dada e sustentada apenas pelo desejo de amar. 


O vire a página e siga em frente deverá sempre ser substituído por: Vire a página e olha para ti mesmo. Depois sim...entende-te...lava-te emocionalmente....e segue feliz. 


Quem és tu? Sobreposição? Ou Justaposição?







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