O INSUSTENTÁVEL PESO DO AMOR



"O amor é a pedra mais preciosa que existe, lapidada por Deus e dada gratuitamente a aqueles que a possam manuseia-la e valoriza-la."

Respeito, confiança, personalidade, carácter, sofrimento e valorização, são quanto a mim pedras angulares para se desejar que uma relação se torne única e reciproca. São pedras necessárias para as quais e com as quais criamos laços fortes, uma teia que se desenvolve com cumplicidade, carinho, união, partilha e reciprocidade. 

O amor deseja-se leve, mas quando falamos em leve, não é leve de problemas, leve de defeitos, leve de tristezas ou sofrimentos. O amor deseja-se acima de tudo que seja caracterizado de carácter e personalidade. O amor pesa. Pesa com a responsabilidade que carregamos de prestar ao outro a homenagem significativa de nos ter escolhido como base e pedra fundamental para a sua vida. O amor é dor também é sofrimento , é fazer remar o barco por tempestades. Amor sem personalidade, sem carácter, amor do facilitismo, da imaturidade, amor da descrença, amor leve e de facilidade, não é e nunca será amor, será apenas uma espécie de algo descaracterizado e apenas adornado com uma maquilhagem falsificada. 

Amor é fundamentalmente os valores, a nossa formação interior e definição do mesmo que carregamos em nós. 

Sempre achei e continuo a achar que nem toda a inteligência do mundo é capaz de proporcionar um grande amor se o mesmo estiver descaracterizado de valores essenciais para o levar  a bom porto. Uma cara bonita não faz um grande amor. Um corpo esbelto não é sinónimo tantas vezes do que desejamos para nós. 

Muitas vezes fui questionado de dar ao outro a oportunidade de fazer tudo o que quisesse. Amor para mim, não é uma prisão. Sempre dei total liberdade ao outro lado para fazer as suas escolhas. "Queres, vai" , "Queres, faz" ou apenas " Tu é que sabes". e a forma como cada pessoa vai lidando com a liberdade que entregas no outro, define não só esse amor, como a observação que fazes da personalidade e carácter também da outra pessoa. Podes ter o retorno de gratidão, de valorização, como podes ser surpreendido com o contrário. O amor, tanto pode ser uma mão que te leva ao céu, como a mesma te levará ao inferno. 

As escolhas que fazemos na forma como olhamos e lidamos com o outro, mostram e vão delineando o que deves colocar como "Bom " e "Mau", como o que serve e não serve. Vamos percebendo ao longo do tempo que existem amores fictícios, mentirosos, trapaceiros, inteligentes e norteados por linhas de amor por si mesmo e salvação do seu eu. São amores egocêntricos e cravados de linhas de futilidade onde impera um respeito mentiroso e falseado. 

Sempre fui um eterno estudioso dessa condição humana, dessa observação que faço, dos olhares e sofrimentos que cada um carrega para si e que cada um,  se quer e tenta,  livrar daquilo que acha que não seja amor. 

Ao longo dos últimos 20 anos passei por Brasil, Angola, Arábia Saudita e obviamente nos meu país, falei com tanta gente, conheci tantas caras, tantos sofrimentos, alegrias, debati amor, escutei sobre amor, personalidades, dúvidas, questões, desejos e ensejo.

 Já namorei, já fiquei, já tive dias apenas, horas apenas com alguém, já cometi o erro de ter traído e de ser traído ( Pagamos sempre! Venha de lá a lei do retorno!) mas acima de tudo e na medida que cresces emocionalmente, vais ganhando personalidade, carácter e capacidade de amares de uma forma completa. Mas o que é completo para nós nem sempre se compatibiliza com o outro. E entramos em choques de valores e de personalidade. 

Eu costumo dizer que todos temos valores e éticas morais! Todos! Mas a grande maioria esquece-se deles na cimo da prateleira. Já vi tantas a bater no peito sentindo-se desonradas no seu valor e ética como cegos que dizem que são capazes de ver tudo menos a si mesmos.

É necessário saber carregar o amor. E o que tenho percebido em tanta gente é que se carregam a si mesmos. Fatalmente carregam em si mais do que um amor, mais do que um parceiro...é a busca pelo facilitismo do eu, da individualidade, do preenchimento do seu copo vazio. Que transborda tantas vezes na mentira do seu próprio eu. Mas que se acredita que tudo é em busca de amor. 

Sempre fui uma pessoa extremamente flexível...e flexível até demais. Em alguns namoros fiquei estupefacto com atitudes, formas de agir, de ver o amor que nós damos como um peso difícil de carregar. Ao longo dos anos e em tantas situações sempre fui acusado de falta de ciúmes. Eu não tenho ciumes quanto baste...é que incrivelmente não tenho mesmo. Não tenho ciumes de nada. É algo que sempre me caracterizou. Perguntam vocês: " Se eu andar com outro, não tens ciumes?" Desculpa...mas a resposta educada será: Se andares com outro enquanto te ofereço o meu amor...és um bocadinho "prostituta". És falsa, ingrata e ingénua. 

Já tive debates enormes e boas discussões sobre a condição de amor e forma como eu mesmo pratico essa liberdade que dou ao outro. Reparem...não é liberdade de "Faz tudo o que quiseres" é liberdade de "Faz o que quiseres, sabendo que eu existo na tua vida" É uma diferença abismal entre a liberdade que se dá e o que eu decido com essa liberdade.

O valor dos sentimentos é impagável e inultrapassável. No que toca a qualidades no amor, serão exponencialmente mais as qualidades que possuo que os pequenos defeitos manuseáveis e moldáveis que tenho. Aprendi na realidade ao longo dos vários anos a ter uma certa honra no compromisso, a valorizar, escutar, compreender, dar a mão e sistematicamente utilizar-me sempre do " Está tudo bem". 

Fui honrado, valorizado, querido, amado. Já fui espoliado, gozado, vitima de risos, criticas, mentiras, omissões, gozos e abusos no amor e liberdade que sempre dei.  Cada uma à sua maneira entendeu utilizar esta liberdade seja para proveito do conjunto como proveito de si mesma.

Existem inúmeras pessoas que não conseguem aguentar o verdadeiro peso de saber e aprender a amar com o devido respeito pela sua liberdade e pela liberdade do outro. Ontem questionado do "Porquê? O porquê de ás vezes eu em conhecimento do sofrimento, do que vejo, do que sinto, me sento e observo"? Porquê?

Na verdade e na tentativa que tantas vezes os outros acordem para a realidade, na tentativa que caiam em si mesmos, apenas nos sentamos a assistir ao filme produzido, escrito e realizado essencialmente por eles\elas. Escolhas todos fazemos e são essas escolhas que aprendemos a carregar ou como um peso leve ou como um leve peso. O que queremos, desejamos interiormente passa de pessoa para pessoa, mas determina essencialmente na forma como olho para as diferentes pessoas o que elas realmente valem ou não.

Essencialmente e para mim não é o grau hierárquico, financeiro que define amores. Ahhhh....o quanto já ouvi sobre isso! Isso é apenas uma salvação fácil e caminho prostituído de desejos que não estão provados cientificamente que nos fazem mais felizes do que o contrário. Adornam apenas momentos e necessidades. Saber sofrer é uma arte da conquista do amor. Dure, 1,2,3...20 anos. Como dirá o outro: Quem quer quer,  quem não quer a porta da rua é serventia da casa". E muitas vezes saímos pela porta da rua em busca do que continuamente não encontramos em nós e na verdade possuímos há anos ...em casa. Somos cegos tantas vezes. 

O amor pesa...e como pesa, mas é necessário ser-se um grande homem interiormente e ter-se uma grande mulher por trás tantas vezes, porque sem isso, sem a chave para o sucesso dá nisto,  em que tantos andam...o fast food da podridão interior, deduzindo-se e chamando-se de "Emancipação" e liberdade de escolha, para tantos e tantas que vivem a sua própria mentira, como se de uma verdade se tratasse.

Carácter, amor, sofrimento, personalidade, carinho, liberdade, honradez,,,,não são escolhas. Nasce connosco! 

Hoje quando olho para trás, para tantas situações da vida...agradeço quem sou e aquilo que sou. Apesar de erros como tantos outros, creio que me fui mantendo igual a mim mesmo. E quando me dão o cognome de "Especial" eu sei exactamente perceber ao que se referem. Aprendi tanto com   as pessoas que tive para o bem como para o mal. Também tive pessoas que nada acrescentaram e trouxeram. Umas ficaram, outras passaram. O que me interessa sempre foi o tributo e o valor que aprenderam a dar, o sacrifico que fizeram ( e eu também) que define o que umas significam para mim e outras significam apenas isso mesmo...o significado de passagem. 

Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito.
William Shakespeare


É o que fazemos a respeito que define tudo...





Comentários

Claudia Dias disse…
"Faz tudo o que quiseres" é liberdade de "Faz o que quiseres, sabendo que eu existo na tua vida" É uma diferença abismal entre a liberdade que se dá e o que eu decido com essa liberdade" - é mesmo isto!!!
Claudia Dias disse…
"Faz tudo o que quiseres" é liberdade de "Faz o que quiseres, sabendo que eu existo na tua vida" É uma diferença abismal entre a liberdade que se dá e o que eu decido com essa liberdade" - é mesmo isto!!!

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